Terça-feira, Novembro 23, 2010

Sei, sei sei

Meu irmão disse que queria fazer uma tatuagem. Meu irmão tem 21 anos e eu mal o conheço.
De vez em quando a gente conversa e se encontra nas semelhanças do amor que sentimos.
É tão encantador ouvi-lo dizer que se preocupa com seus princípios.
Suas opiniões sobre a liberdade é muito mais madura que o normal e sua compreensão de mundo, sua noção de onde ele está, de quem ele é...tão segura.
Não sei como as pessoas podem não amar seus irmãos. Acho de uma força sobrenatural existir pessoas que tenham sido fabricadas no mesmo quentinho que a gente.
O quentinho da nossa mãe. Éramos célula e agora o mundo mal nos cabe.
O mundo mal me cabe.
Não é engraçado que tantas pessoas por aí transitem olhando pros pés, cuidando apenas do perímetro imaginário que lhes pertencem?
Vejo tanto e é como se eu estivesse dormente, em pausa, em um mundo paralelo.
Minha vida inteira vai ser assim? Meu coração não vai ter sossego?
Um ciclo de desilusões que eu mesma faço questão de entrar.
Ah, já está tudo direitinho? Peraí, vamos colocar um pouco de sal nessa ferida.
Aprendi que se doer muito sara mais rápido. E assim vou eu, vivendo de dor em dor enquanto a parte boa do sossego vai se escondendo todos os anos.
Esqueço praticamente de tudo quando o sol desponta no horizonte.
Deve ser verdade aquilo que dizem sobre o novo dia.
Mas de noite, na escuridão que eu não consigo alcançar, minha cabeça dá voltas e tudo ressurge, como para me afogar.
Meu irmão quer tatuar a felicidade de viver.
Quer celebrar a vida.
Ele e a sua serenidade de escorpião, passional, tão correto e tão livre.
Quem vê não acredita.
Mas quem só vê, acaba não vendo nada.
Deviam ensinar isso na escola.
O que vale é o que a gente sente. Isso eu sei.

Postado por Lia | 10:58 AM | fotolog? | levanta, vai!




Quinta-feira, Novembro 04, 2010

enquanto os morcegos voam, algum galo canta por copacabana.
a rua está mais fria que dentro de casa, alegria do passeador de cachorros tardio.
os alarmes dos carros piscam, sinalizando a falsa segurança proporcionada pelos ladrões.
dá pra romantizar tudo, dá pra individualizar, dá pra se fechar numa bolha, dá pra bater o pé, dá para querer, não querer, o que mais se faz é impor.
em toda parte, em todo lugar, o que mais se quer é um amor.
até que se consegue.
aí começa tudo de novo.

Postado por Lia | 1:26 AM | fotolog? | levanta, vai!


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